O que comer para entrar no clima de Brasil x Noruega?

Especialista em gastronomia explica a história do bacalhau e do tradicional gravlax
O Brasil enfrenta a Noruega nas oitavas de final do maior torneio de futebol do mundo neste domingo. A partida também desperta curiosidade sobre a cultura do país escandinavo, especialmente sua gastronomia, marcada por ingredientes frescos, técnicas centenárias de conservação e pratos que atravessaram fronteiras. Entre eles está o bacalhau, um dos maiores símbolos da culinária brasileira em datas comemorativas, mas cuja origem está diretamente ligada às águas geladas da Noruega.
Segundo Katia Yoshihara, professora do curso de Gastronomia da Estácio, a culinária norueguesa foi moldada pelas características naturais do país. “A cozinha tradicional da Noruega é um reflexo do clima rigoroso, do litoral repleto de fiordes e da necessidade histórica de conservar alimentos durante os longos invernos. Por isso, peixes e frutos do mar ocupam lugar de destaque, ao lado de carnes como cordeiro e rena, raízes, laticínios e frutas silvestres”.
As técnicas de salga, secagem, defumação e fermentação se tornaram marcas registradas da gastronomia local e permanecem presentes até hoje, mesmo com a valorização da cozinha contemporânea. Entre os pratos mais tradicionais estão o Fårikål, considerado o prato nacional e preparado com cordeiro e repolho; o Kjøttkaker, espécie de almôndega servida com molho marrom; o Smørbrød, famoso sanduíche aberto; além do Gravlax, salmão curado que conquistou cozinhas ao redor do mundo.
Um dos maiores pontos de encontro entre Brasil e Noruega, no entanto, é o bacalhau. “O autêntico Gadus morhua, conhecido como o legítimo bacalhau, vem principalmente das águas frias do Mar da Noruega, especialmente da região das Ilhas Lofoten. Embora a técnica de salgar e secar o peixe tenha sido difundida pelos portugueses, a matéria-prima e a tradição de sua cura têm raízes profundamente norueguesas”, explica Katia.
Ao chegar ao Brasil, o ingrediente ganhou uma identidade própria. “Nós adaptamos o bacalhau ao paladar luso-brasileiro, incorporando muito azeite de oliva, alho, cebola, pimentões, azeitonas e, em algumas regiões, até leite de coco e azeite de dendê. Além disso, surgiram preparações tipicamente brasileiras, como o bolinho de bacalhau, que ganhou uma textura única com a adição da batata”, esclarece a professora.
Outro clássico da culinária norueguesa é o Gravlax, cujo nome significa literalmente “salmão enterrado”. “A receita surgiu na Idade Média, quando pescadores escandinavos enterravam o peixe em covas rasas para conservá-lo durante o inverno. Com o passar dos séculos, a técnica evoluiu. Hoje, o gravlax é preparado por meio de uma cura delicada com sal, açúcar e endro (dill), resultando em um salmão extremamente macio, amanteigado e muito utilizado desde o café da manhã até canapés e entradas sofisticadas”, afirma a especialista.
Bacalhoada Tradicional de Forno
Ingredientes
-1 kg de lombo de bacalhau da Noruega dessalgado e em lascas grossas
-1 kg de batatas médias cortadas em rodelas grossas
-3 cebolas médias cortadas em rodelas
-1 pimentão verde em rodelas
-1 pimentão vermelho em rodelas
-1 pimentão amarelo em rodelas
-3 dentes de alho picados
-200 g de azeitonas pretas inteiras
-4 ovos cozidos cortados em quatro partes
-Cerca de 1 xícara de azeite de oliva extravirgem
-Sal, pimenta-do-reino e cheiro-verde a gosto
Modo de preparo
Cozinhe as batatas em água fervente com uma pitada de sal até ficarem macias, mas ainda firmes. Reserve. Na mesma água, afervente rapidamente as lascas de bacalhau por cerca de três a cinco minutos e escorra.
Em uma frigideira, aqueça um fio generoso de azeite e doure levemente o alho e as cebolas.
Em um refratário, faça uma camada com parte das batatas e das cebolas. Distribua o bacalhau sobre elas e acrescente o restante das cebolas, os pimentões e as azeitonas.
Regue tudo com bastante azeite, tempere com pimenta-do-reino e leve ao forno preaquecido a 180°C por aproximadamente 30 minutos, até que os legumes estejam macios.
Finalize com os ovos cozidos, salpique cheiro-verde e sirva acompanhado de arroz branco.
