Efeito platô no emagrecimento: o que fazer quando o peso estaciona

Efeito platô no emagrecimento: o que fazer quando o peso estaciona
Foto: Adriana Stavro – Nutricionista Mestre pelo Centro Universitário São Camilo

A estagnação na perda de peso, caracterizada pela desaceleração ou interrupção do emagrecimento apesar da manutenção de uma alimentação saudável e de uma rotina de exercícios, pode ocorrer em uma parcela significativa de indivíduos em tratamento. Independentemente da estratégia alimentar adotada, os platôs podem ocorrer semanas ou meses após o início de um programa de emagrecimento.

Do ponto de vista evolutivo, a gordura corporal representa uma reserva energética protetora contra períodos de escassez, o que ajuda a explicar os mecanismos fisiológicos que se opõem à perda de peso e favorecem sua recuperação.

Esse processo é complexo e multifatorial, mediado por adaptações biológicas conhecidas como adaptação metabólica, que incluem a redução da taxa metabólica basal, diminuição da termogênese da atividade não associada ao exercício (TANE/NEAT) e do efeito térmico dos alimentos, além do aumento da eficiência do organismo em conservar energia. Como consequência, há uma redução progressiva do gasto energético total.

Essas modificações são acompanhadas por alterações hormonais que favorecem o platô do peso corporal. A leptina, por exemplo, produzida pelos adipócitos, promove saciedade e aumenta o gasto energético. No entanto, seus níveis diminuem com a redução da massa gorda, favorecendo maior ingestão alimentar. Além disso, os níveis de grelina (hormônio da fome) podem aumentar após a perda de peso, estimulando neurônios orexígenos (responsáveis por estimular o apetite) no hipotálamo e elevando o apetite, especialmente por alimentos mais calóricos e palatáveis.

Paralelamente, ocorrem modulações em hormônios como T3 (relacionado à regulação do metabolismo e do gasto energético), insulina (envolvida no controle da glicose e do armazenamento de energia), GLP-1 e PYY (hormônios intestinais que promovem saciedade), além do aumento do neuropeptídeo Y (associado ao aumento do apetite), que, em conjunto, promovem maior ingestão alimentar, menor gasto energético e dificultam a continuidade da perda de peso.

Além dos fatores fisiológicos, aspectos psicológicos desempenham papel relevante, contribuindo para a redução da adesão, desengajamento terapêutico e maior risco de abandono do tratamento. A frustração diante do platô também favorece o chamado “efeito sanfona”, no qual há perda de peso seguida de estabilização e posterior reganho, estabelecendo um ciclo recorrente de perda e ganho de peso. A percepção equivocada de que o emagrecimento ocorre de forma linear agrava esse cenário, levando frequentemente a expectativas irreais à consequente decepção.

Para auxiliar os pacientes a superar esses desafios, os profissionais de saúde devem identificar as causas do platô e implementar estratégias práticas, como a reavaliação e ajuste da ingestão energética, o ajuste da rotina de exercícios, o estímulo ao aumento do gasto energético não estruturado (NEAT) e a aplicação de técnicas comportamentais, associadas ao alinhamento de expectativas realistas e ao aconselhamento motivacional contínuo.

Como manejar o efeito platô

–Ajuste expectativas: o emagrecimento não é linear; o corpo se adapta metabolicamente.
–Reavalie o plano: revise ingestão alimentar e nível de atividade física.
–Garanta proteína adequada: A necessidade de proteína pode variar de 1,2 a 2,0 g/kg/dia. Porém, a quantidade deve ser individualizada de acordo com o peso, a composição corporal, o nível de atividade física, a idade e a condição clínica.
–Aumente o gasto energético: combine treino aeróbico e de força.
–Evite déficits extremos: priorize estratégias sustentáveis.
-Inclua comportamento: automonitoramento e metas realistas são essenciais.
–Sono e estresse: avaliar a qualidade do sono e o manejo do estresse, fatores que podem influenciar o apetite, as escolhas alimentares, a atividade física e a adesão ao tratamento.
–Olhe além do peso: composição corporal, energia e saúde metabólica também importam.

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