Da cozinha à gestão: 6 decisões que transformaram uma chef em empresária

À frente do Grupo Hungry, Chef Mari Horbach compartilha os principais aprendizados de mais de uma década à frente de negócios de gastronomia
Empreender vai muito além de ter uma boa ideia ou dominar uma determinada profissão. É preciso aprender a tomar decisões, administrar recursos, liderar pessoas, entender o consumidor e, principalmente, lidar com erros e mudanças de rota. Essa foi uma das principais lições da trajetória da chef Mariele Horbach, que transformou sua paixão pela gastronomia em um grupo com duas operações de food service em São Paulo.
Mari começou sua relação profissional com a gastronomia ainda jovem, quando se mudou para o Rio de Janeiro para trabalhar com a irmã em restaurantes. Anos depois, já em São Paulo, decidiu empreender ao lado do marido, André Silveira. Hoje, o Grupo Hungry reúne também o Garota da Vila e Bar Jobim.
A trajetória, porém, esteve longe de seguir uma receita pronta. Portas fechadas, erros e decisões difíceis fizeram parte do caminho e contribuíram para que Mari deixasse de olhar para a gastronomia apenas como chef e passasse a atuar também como empresária e executiva.
“Eu continuo sendo chef e continuo amando a cozinha. Mas chegou um momento em que entendi que precisava olhar para o negócio como um todo. Não bastava criar um bom prato: era preciso entender de pessoas, números, operação, atendimento, cliente e estratégia”, afirma.
No Dia do Empreendedor, comemorado em 5 de outubro, a chef compartilha seis decisões e aprendizados que considera fundamentais em sua transformação profissional:
–Entender que paixão não substitui gestão
Gostar profundamente do que se faz pode ser o ponto de partida, mas não garante a sustentabilidade de um negócio. Para Mari, aprender sobre custos, operação, estoque, fornecedores, equipe e fluxo financeiro foi tão importante quanto aperfeiçoar seus conhecimentos gastronômicos.
–Transformar os erros em aprendizado
A empresária acredita que errar faz parte do processo, desde que o empreendedor consiga identificar o que precisa ser mudado.
“Quem olha uma empresa depois que ela deu certo imagina que existia um caminho claro. Não existia. Tivemos muitos ‘nãos’, erramos, acertamos e mudamos de direção. O importante é não desperdiçar o aprendizado que vem de cada erro”, explica.
–Ouvir o consumidor
Observar o comportamento do cliente passou a ser uma das ferramentas de gestão de Mari. Pratos mais pedidos, reações às novidades, horários de maior movimento e motivos que levam alguém a retornar são informações que ajudam a orientar decisões.
“Você precisa ouvir o consumidor, inclusive quando ele não está falando diretamente com você. O que ele pede, o que elogia, o que reclama e o que faz com que volte são informações valiosas para qualquer negócio”, afirma.
–Crescer sem perder a identidade
Com quatro operações, outro desafio foi expandir mantendo a essência das marcas. No Grupo Hungry, a cultura carioca está presente na gastronomia, na música, na ambientação e na experiência oferecida aos clientes.
“A expansão não pode significar deixar de ser aquilo que fez as pessoas gostarem de você. É preciso crescer sem perder a essência”, diz.
–Aprender a liderar pessoas
Para Mari, especialmente no food service, a experiência do cliente começa dentro da própria equipe. Por isso, formar profissionais, desenvolver talentos e construir uma cultura de trabalho são elementos fundamentais para o crescimento.
“Você não constrói uma empresa sozinho. Uma boa ideia precisa de pessoas que acreditem nela e saibam colocá-la em prática”, afirma.
–Ter coragem para decidir
Depois de mais de uma década empreendendo, Mari resume uma das principais características necessárias para quem deseja construir um negócio: capacidade de tomar decisões mesmo sem ter garantia de que elas darão certo.
“Empreender é decidir. É saber quando insistir, quando mudar, quando investir e quando reconhecer que uma estratégia não funcionou. Não existe segurança absoluta. Existe análise, experiência e coragem para assumir a responsabilidade pelas escolhas”, conclui.
Para a chef, o empreendedorismo também ganhou um novo significado ao longo dos anos. Mais do que crescimento, sucesso passou a representar a capacidade de construir negócios sustentáveis, gerar oportunidades e criar experiências positivas para clientes e colaboradores.
