Dia dos Pais: a bebida certa para cada tipo de churrasco (e de pai)

Dia dos Pais: a bebida certa para cada tipo de churrasco (e de pai)
Foto: Magnific

O sucesso da harmonização depende da intensidade dos sabores, do teor de gordura e dos temperos de cada peça; saiba como combinar carnes e bebidas

O churrasco já virou uma tradição gastronômica no Brasil e é a cara do Dia dos Pais. Se o churrasqueiro for habilidoso e a carne saborosa, boa parte do almoço já está resolvida, mas a escolha certa da bebida pode mudar o tom desta experiência.

“A harmonização busca equilibrar sabores, aromas, texturas e intensidades entre alimento e bebida. Como a diversidade de cortes, acompanhamentos e temperos é ampla, as possibilidades de combinações são ricas e variadas”, detalha Ubiratan Miranda, professor de Práticas de Alimentos e Bebidas da matéria de Enologia no curso de Gastronomia da Universidade Anhembi Morumbi, integrante do maior ecossistema de ensino de qualidade do país: o Ecossistema Ânima.

Especialista em Bebidas e Harmonização, ele explica que o sucesso da harmonização depende da intensidade dos sabores, do teor de gordura e dos temperos de cada peça. “Não existe uma regra única e engessada, mas princípios que favorecem o equilíbrio gastronômico. A escolha correta potencializa os aromas, melhora a percepção dos sabores e torna o momento do churrasco ainda mais prazeroso”, diz.

Pensando nisso, ele separou diferentes combinações com cervejas, vinho tinto, vinhos brancos e espumantes, caipirinha, whisky e, ainda, alternativas não alcoólicas. Tem opção para todo tipo de gosto e de pai!

Cervejas: versatilidade e limpeza do paladar

As cervejas estão entre as opções mais populares e tradicionais. Por conta da carbonatação (gás), promovem uma limpeza natural do paladar, removendo a gordura das carnes e preparando a boca para a próxima degustação.

–Pilsen: possui perfil leve, refrescante e de baixo amargor. É ideal para abrir o apetite com petiscos, linguiças suaves, frango e espetinhos;
–American IPA (India Pale Ale): apresenta amargor mais pronunciado e aromas cítricos provenientes do lúpulo. Funciona muito bem com carnes condimentadas, marinadas intensas ou cortes mais gordurosos (como picanha e costela), em que o amargor quebra a suntuosidade da gordura;
–Porter e Stout: estilos mais encorpados e escuros, que trazem notas de café, chocolate e malte torrado, harmonizam com os sabores das carnes na brasa.

Vinhos tintos: estrutura para cortes bovinos

O vinho tinto é o grande aliado dos cortes bovinos. Os taninos presentes em rótulos jovens e estruturados interagem diretamente com as proteínas e a gordura da carne, amaciando tanto a bebida quanto o alimento.

–Cabernet Sauvignon: tem estrutura, acidez e taninos ideais para cortes clássicos como picanha, ancho e chorizo. Seus aromas de frutas negras, especiarias e madeira complementam o toque defumado da grelha;
–Malbec: perfeito para carnes de sabor intenso e muita suculência, como a costela bovina assada lentamente. Seus taninos macios e corpo elevado lidam muito bem com a textura untuosa da peça;
–Syrah: oferece notas de pimenta-preta e um caráter defumado que encontra correspondência direta nos sabores desenvolvidos pelo fogo;
–Merlot e Tempranillo: vinhos de médio corpo, ideais para carnes suínas (costelinha, lombo ou copa). Como essas carnes têm menos proteínas que a bovina, os taninos mais suaves desses vinhos não atropelam o sabor delicado do prato, combinando bem com molhos agridoces ou ervas.

Vinhos brancos e espumantes: refrescância e complexidade

Nem só de tintos vive o churrasco. Opções mais frescas trazem leveza para os dias quentes.

–Chardonnay: vinhos brancos de médio corpo, preferencialmente com passagem por barrica de carvalho, acompanham bem sobrecoxa ou peito de frango grelhado. As notas amanteigadas e a acidez moderada combinam com a textura da ave;
–Sauvignon Blanc: sua elevada acidez e notas herbáceas são excelentes para cortes de frango preparados com ervas frescas ou marinadas cítricas;
–Espumantes: uma escolha extremamente versátil. A alta acidez e a efervescência limpam a gordura da boca instantaneamente. Versões jovens e frutadas combinam com dias quentes, linguiças artesanais e queijos grelhados (como o coalho). Já os espumantes feitos pelo método tradicional trazem notas de pão tostado que enriquecem preparos sofisticados.

Caipirinha e whisky

Bebidas de maior teor alcoólico podem enriquecer momentos específicos da refeição se consumidas com moderação.

–Caipirinha: o clássico patrimônio brasileiro brilha no churrasco. A acidez do limão corta a percepção de gordura das carnes, combinando muito bem com cortes suínos, frango e espetinhos. A dica é dosar bem o açúcar para não mascarar o sabor da carne;
–Whisky: rótulos levemente defumados e maturados em carvalho trazem notas de baunilha e fumaça que dialogam com a grelha. É recomendado o consumo em doses pequenas, acompanhando cortes nobres de sabor intenso ou ao final da refeição.

Alternativas não alcoólicas

Para quem dispensa o álcool, a lógica do equilíbrio entre acidez e doçura permanece a mesma.

–Sucos naturais cítricos (limão, maracujá e abacaxi): excelente equilíbrio de acidez e frescor, funcionando muito bem com carnes brancas, petiscos e cortes suínos;
–Chás gelados: versões com limão ou frutas vermelhas (com pouco açúcar) limpam as papilas gustativas de forma leve;
-Refrigerantes de cola: a alta carbonatação ajuda a quebrar a gordura, mas o excesso de açúcar pode ocultar as nuances sensoriais das carnes mais nobres e delicadas.

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