Menos álcool, mais bem-estar: mudança no consumo leva bares e restaurantes a reinventarem seus cardápios
Queda no consumo de bebidas alcoólicas, especialmente entre os mais jovens, impulsiona estabelecimentos a investirem em drinques sem álcool, porções menores e experiências voltadas ao bem-estar
O hábito de consumir bebidas alcoólicas vem passando por mudanças nos últimos anos. Impulsionada pela busca por uma vida mais saudável, pelo crescimento do movimento sober curious e pela preocupação com alimentação e qualidade de vida, uma parcela crescente dos consumidores tem reduzido ou até eliminado o álcool da rotina. O movimento é percebido principalmente entre as gerações mais jovens, que priorizam experiências gastronômicas e momentos de convivência sem que a bebida alcoólica seja o principal atrativo.
De acordo com a pesquisa “Alimentação Hoje: a visão do consumidor”, realizada pela GALUNION, foi possível verificar tais mudanças. As motivações variam desde saúde física e mental a uma importância ao estado de presença e conexão, e contenção de gastos. A indústria, atenta a esse movimento, tem investido em bebidas não alcoólicas com design e sabor sofisticados, como os chamados “mocktails” e cervejas sem álcool. “Nossa pesquisa mostra que, diante deste cenário, 48% das pessoas frequentam menos bares, pubs, casas de shows, danceterias, clubes, casas noturnas ou baladas. Vimos também um recente movimento global de experiência diurnas movidas a bebidas não alcoólicas, como as coffee parties, com festas com DJ e música, em cafeterias, que ocorrem durante o dia”, explica Simone Galante, fundadora e CEO da GALUNION.
Essa transformação já influencia as estratégias de bares e restaurantes, que vêm adaptando seus cardápios para atender públicos mais diversos. A ampliação da oferta de bebidas sem álcool, a reformulação de porções e a criação de opções voltadas a consumidores que seguem dietas específicas ou utilizam medicamentos para emagrecimento fazem parte desse novo cenário.
A Água Doce Sabores do Brasil, rede de franquias especializada em gastronomia brasileira, é uma das marcas que acompanha essa mudança de comportamento. Atenta a essa transformação há cerca de dois anos, a rede foi uma das pioneiras do segmento ao lançar uma carta de drinques não alcoólicos, desenvolvida em parceria com uma fabricante de gin sem álcool, uma iniciativa considerada bastante inovadora para a época. Agora, em julho, a marca dá mais um passo nessa estratégia e apresenta um cardápio totalmente reformulado, ampliando a oferta de drinques nesta temática e passando a oferecer porções em tamanhos menores, pensadas para consumidores que utilizam medicamentos injetáveis para controle de peso, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, e que, por isso, costumam consumir menores quantidades de alimentos em cada refeição.
Segundo Julio Bertolucci, diretor de franquias da rede, a proposta é tornar a experiência nos mais de 60 restaurantes mais inclusiva, permitindo que diferentes perfis de consumidores encontrem opções alinhadas aos seus hábitos e necessidades, sem renunciar aos momentos de lazer e socialização. “A forma de consumir mudou. Hoje, muitos clientes procuram experiências gastronômicas que estejam alinhadas ao seu estilo de vida. Isso significa oferecer alternativas para quem não consome álcool e porções que atendam pessoas com diferentes perfis alimentares. O papel dos restaurantes é acompanhar esse comportamento e evoluir junto com o consumidor. Com as alterações que aplicamos em nosso cardápio, foi possível notar uma aceitação melhor dos clientes, resultados positivos com as vendas que estão registrando um crescimento considerável nos restaurantes da rede”, afirma.
Outra empresa que percebe claramente essa transformação é o Divino Fogão, franquia especializada em comida da fazenda. Desde o período pós-pandemia, a rede identificou uma redução significativa nas vendas de chope nos mais de 250 restaurantes em todo território nacional. Em contrapartida, cresceu o interesse dos consumidores pelo bufê, especialmente na modalidade sirva-se uma vez, em que o cliente paga um valor fixo e pode montar a refeição conforme sua preferência.
“Essa mudança reflete um consumidor mais interessado na refeição completa do que no consumo de bebidas alcoólicas durante o almoço, comportamento que também acompanha a retomada das refeições presenciais em centros comerciais e praças de alimentação de shoppings centers. Com isso, a preferência pelo bufê demonstra que conveniência, variedade e liberdade de escolha passaram a ter maior peso na decisão de compra. O modelo permite que cada cliente monte um prato de acordo com seu apetite e estilo alimentar, contemplando desde quem busca refeições mais leves até quem prefere uma experiência mais completa”, finaliza Rodrigo Varela, diretor de Planejamento e Novos Negócios do Divino Fogão.

