O que observar na alimentação para construir uma rotina de cuidados com a saúde?

O que observar na alimentação para construir uma rotina de cuidados com a saúde?
Foto: Magnific

Nutricionista do Instituto Ovos Brasil orienta sobre variedade alimentar, escolhas no dia a dia e o papel dos alimentos in natura em uma alimentação equilibrada

O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A doença representa 30% dos novos casos de câncer estimados entre as mulheres brasileiras, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.

Durante o Outubro Rosa, os dados reforçam a importância da conscientização sobre a saúde da mulher e dos cuidados que devem fazer parte da rotina. Além do acompanhamento médico, hábitos como alimentação adequada, atividade física e evitar o consumo de bebidas alcoólicas integram as recomendações gerais de prevenção do câncer.

Mas, quando o assunto é alimentação, o que realmente vale observar? A orientação não está em apostar em um alimento específico, adotar dietas restritivas ou buscar soluções isoladas, e sim em construir um padrão alimentar variado e adequado ao longo da vida.

O próprio INCA recomenda priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, com presença de frutas, verduras, legumes, feijões e outros alimentos que contribuam para uma alimentação diversificada.

Para Lúcia Endriukaite, nutricionista do Instituto Ovos Brasil (IOB), olhar para a alimentação de forma global é mais importante do que buscar um alimento ou nutriente isolado.

“Uma alimentação equilibrada é construída pela combinação de diferentes alimentos ao longo do dia. Mais do que pensar em restrições, é importante observar a variedade do prato, a presença de alimentos in natura ou minimamente processados e a qualidade das escolhas que conseguimos manter na rotina”, explica.

Quatro pontos para observar na alimentação do dia a dia

  1. A variedade importa mais do que um alimento isolado

Combinar diferentes grupos alimentares ao longo do dia contribui para ampliar a oferta de nutrientes. Frutas, verduras, legumes, feijões, cereais, carnes, ovos e outras fontes de proteínas podem fazer parte dessa composição, respeitando as necessidades e particularidades de cada pessoa.

É importante que verduras e legumes estejam presentes no almoço e no jantar. No entanto, esses vegetais podem ser transformados em sucos, sopas ou caldos para facilitar a ingestão. As frutas, em torno de três porções, podem ser consumidas ao longo do dia ou nas refeições principais. Alimentos básicos, como arroz (cereal) e feijão (leguminosa), são importantes no dia a dia. O Guia Alimentar para a População Brasileira é um instrumento que pode contribuir para as variações por meio de substitutos alimentares.

  1. Alimentos in natura ou minimamente processados devem ter espaço na rotina

Esse mesmo Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda que esses alimentos sejam a base da alimentação.

O ovo integra esse grupo e pode compor diferentes refeições, como uma omelete com legumes, um preparo acompanhado de salada ou uma combinação tradicional de arroz, feijão e ovo com verduras e legumes. Nesse contexto, sua contribuição está relacionada à composição de uma alimentação variada, e não a qualquer propriedade específica de prevenção ou tratamento do câncer.

  1. Vale observar a frequência dos ultraprocessados

Produtos ultraprocessados não devem ocupar o espaço central da alimentação. Sempre que possível, a recomendação é priorizar preparações feitas com alimentos in natura ou minimamente processados.

  1. O cuidado com a saúde vai além do prato

A alimentação faz parte de um conjunto mais amplo de hábitos. A prática regular de atividade física, a manutenção de um peso corporal adequado e evitar o consumo de bebidas alcoólicas também integram as orientações de prevenção do câncer.

“Não é necessário pensar em uma mudança radical de uma hora para outra. Organizar melhor as refeições, variar os alimentos e buscar uma rotina mais ativa são atitudes que podem ser incorporadas gradualmente. O mais importante é que essas escolhas sejam possíveis de manter no dia a dia”, afirma Lúcia.

Alimentação equilibrada não substitui acompanhamento médico

Embora os hábitos alimentares tenham importância para a saúde, nenhum alimento isolado é capaz de prevenir ou tratar o câncer de mama. A alimentação também não substitui consultas, exames, rastreamento e acompanhamento médico.

Para mulheres que já receberam um diagnóstico ou estão em tratamento, as necessidades nutricionais podem ser diferentes e devem ser avaliadas individualmente por médicos e nutricionistas , considerando as condições clínicas e as orientações da equipe responsável.

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